Monday, October 16, 2006

Vem



Vem,

Abraça-me, faz nosso círculo em mil voltas
E transforma o silêncio em música
Nesse momento de criação...

Vem,
Espalda teus braços longos de amor sobre o meu céu,
E escurece a tarde em noite breve...
Enquanto a neve cai,

Vem,
Acaricia meus cabelos com tuas mãos suaves
E emoldura meu rosto com tua paixão...
Porque só tu ocultas o meu vazio sob esse véu...

Vem,
Seduz minha alma à luz dessa ilusão...
Não vês que pulsa meu coração em teu compasso,
Enquanto te tenho em breve espaço de tempo?
Vem,
Que a noite termina e meu corpo chora tua perda...
Agora que nos encontramos e torpes nos perdemos
Lembra do caminho...

E vem ...

El amor es tan certo...



Antes de amar-te

Antes de amar-te, amor,
nada era meu,
vacilei pelas ruas e coisas,
nada contava nem tinha nome,
o mundo era do ar que esperava.
E conheci túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,
tudo era dos outros e de ninguém,
até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono.
Áspero amor, coroado de espinhos...
Arbusto entre tantas paixões erguidas,
Lança das dores, coroa da ira,
Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso,
Repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho?
Quem te ensinou os passos que te levaram a mim?
Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha casa?
A verdade é que tremeu a noite apavorante,
A aurora encheu todas as taças com seu vinho
E o sol estabeleceu sua presença celeste,
Enquanto o amor cruel me cercava sem trégua,
Até que padecendo-me com espadas e espinhos,
Abriu meu coração um caminho ardente...

( Pablo Neruda)

Tuesday, October 03, 2006

Agora que te vejo...


Agora que te vejo
Como a face oculta do espelho,
Sinto teu abraço breve
E teu olhar vago e escorregadio
Que vai da minha boca ao meu ventre,
Enquanto me beijas...
É assim que nos unimos
Acolhedores e verdadeiros...
O tempo tornou-se eterno,
Emoldurou silencioso o doce momento...
Só agora que assim te vejo,
Desejo-te,
E posso dizer,
Como meu coração te sente...
(Nov/2005 )

Noite

Parece que agora a noite escura abraça lindas estrelas,
E a imensidão é altar e ponte para novas migrações.
São realmente belas...
A luz refletida me envia recados...
Tem sabor de felicidade intensa,
Pulsa amor...
É tua presença,
A felicidade que ronda e me contempla...
Num vôo antecipado da próxima primavera...
Sei, és meu, ao meu alcance...
Sinto o sussuro da tua voz em pleno vôo.
Sei , és tu,
Aquele pássaro que alcançou as estrelas...
( Jun/2006 )










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